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Pará/Brasil

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Os três filhos de Francisco, digo Bolsonaro

Da esquerda para direita (sem trocadilhos): Senador Flávio Bolsonaro, presidente Jair Bolsonaro, deputado federal Eduardo Bolsonaro e vereador Carlos Bolsonaro


Pequeno histórico dos filhos do presidente Jair Bolsonaro: Flávio Bolsonaro, senador eleito em 2018, pelo Rio de Janeiro, Eduardo Bolsonaro, reeleito deputado federal em 2018, pelo estado de São Paulo, e Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro.

Dos três filhos, Carlos Bolsonaro é considerado, pelos próprios irmãos e o pai, Jair Bolsonaro, o “pitbull” da família e, até onde se sabe, foi bastante participativo na condução da campanha política do pai à presidência da República. Até aí tudo bem. Ocorre que a campanha terminou e o seu pai virou presidente do Brasil. Mais ainda, ele já tomou posse. Assim sendo, Carlos Bolsonaro precisa entender que não dá mais para se manifestar nas redes sociais sobre assuntos complexos e que precisam da interferência do governo federal como fazia até o dia 31 de dezembro de 2018, antes da posse de seu pai.

Carlos precisa entender que suas atitudes atabalhoadas atingem não só o seu pai, Jair Bolsonaro, mas também o governo como um todo e, consequentemente, tudo aquilo de bom que um novo governo pode proporcionar à sociedade.

Na opinião do Café com Política, o presidente Jair Bolsonaro, durante todo seu mandato, terá que enfrentar várias crises, ou factoides, por conta da atuação política de seus filhos, crises essas muitas vezes criadas pela oposição ou pela mídia que ainda não tem espaço no governo, ou faz parte daquele núcleo que os bolsonaristas costumam chamar de mídia esquerdista.

Cada manifestação dos filhos congressistas em temas polêmicos servirá como lenha para a oposição utilizar na fogueira da inquisição, tentando vender a ideia de que as ações/opiniões dos filhos são aprovadas previamente pelo pai, assim como também venderão (e já estão vendendo) a ideia de que quem comanda o Brasil são os filhos do presidente, especialmente Carlos, o que mais causa polêmica nas redes sociais por interferir em questões do governo, do qual ele não faz parte.

Na mais recente e desnecessária polêmica, Carlos Bolsonaro, via redes sociais, chamou um dos principais ministros do governo Bolsonaro, Gustavo Bebianno, Secretário-Geral da Presidência, de mentiroso. Para piorar a situação, Carlos ainda vazou um áudio de uma conversa entre o seu pai, Jair Bolsonaro, e Bebianno, para tentar comprovar uma suposta mentira de Bebianno, jogando um dos mais próximos assessores do presidente aos leões.




A polêmica que envolve o ministro Bebianno refere-se ao caso das supostas candidaturas laranjas lançadas pelo Partido Social Liberal – PSL, partido de Jair Bolsonaro, nas eleições 2018, que foi presidido pelo ministro entre janeiro e outubro de 2018. Essas candidaturas receberam recurso público, via fundo partidário.

Para piorar a situação, o perfil do presidente Jair Bolsonaro replicou a postagem do filho, agravando a questão e expondo um importante membro do núcleo duro do governo de forma desnecessária. Em outras palavras, a exposição do ministro pelo filho do presidente e depois pelo próprio presidente mostra, em verdade, uma surpreendente falta de habilidade política de todos os envolvidos. 

Bebianno foi um dos primeiros articuladores da pré-campanha de Jair Bolsonaro, sendo uma pessoa muito próxima do então candidato. Contudo, nunca conseguiu ter uma relação estável com os filhos de Bolsonaro. 

O caso que envolve o ministro Bebianno e Carlos Bolsonaro nos faz refletir sobre muitas coisas relacionadas ao governo Bolsonaro, mas o Café vai destacar apenas duas: 1) até onde vai a ingerência dos filhos do presidente e; 2) a facilidade que Carlos divulgou/vazou o áudio de uma conversa do Presidente da República não coloca em risco a própria segurança do Chefe da Nação? 

A família Bolsonaro precisa entender que os poderes os quais cada um foi democraticamente eleito não é uma brincadeira de família. É preciso que eles entendam que o pai, Jair Bolsonaro, agora é presidente da República, e não mais um deputado federal em pré-campanha eleitoral que podia bater de frente contra tudo e todos no intuito de capitalizar votos. Agora a coisa é outra. Agora a coisa é séria. Agora as atitudes, falas e gestor têm consequência na vida real de cada cidadão. Não dá mais para fazer a “arminha” com a mão e achar que será engraçadinho e o eleitor vai vibrar com tal atitude.  

É óbvio quer ser presidente da República e ter três filhos políticos com mandato, em uma época onde a comunicação com a sociedade se dá em tempo real, não é algo comum e, obviamente, se não for bem trabalhado internamente, pode trazer consequências políticas negativas para a condução do governo, pois a luta por espaços é permanente e supervalorizar os filhos, apenas pela condição de ser filhos, irá gerar uma crise institucional permanente devido o ciúme que isso ocasionará nos demais membros do governo.

O Brasil ainda convive com vários clãs familiares em diversos estados brasileiros, ainda consequência de um passado recente dominado pelo coronelismo brasileiro. Contudo, embora esses clãs familiares encontrem-se presentes nas estruturas do poder nacional, seja via congresso nacional, através do voto popular, seja diretamente na estrutura da administração federal, junto aos ministérios, é certo que a chegada de um clã familiar à presidência da República (Jair Bolsonaro), um representante na Câmara Federal (Eduardo Bolsonaro) e um representante no Senado Federal (Flávio Bolsonaro) não é algo comum e nos força a analisar cautelosamente alguns pontos que foram marcantes na campanha que alçou uma família inteira ao papel de protagonista da política brasileira e suas consequências, são eles: 1) a força e a influência que a internet (redes sociais) possui na política brasileira na atualidade, e 2) é (in)seguro depositar tanta confiança no clã Bolsonaro para administrar a condução dos interesses nacionais?; 3) quais medidas a sociedade deve tomar para não permitir que tanto poder concentrado nas mãos de um clã familiar político não transforme o Brasil numa monarquia?