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Pará/Brasil

domingo, 18 de janeiro de 2015

Caso Charlie Hebdo: desrespeito total.............de ambos os lados.

Antes de tecer qualquer comentário sobre a recente tragédia que resultou na morte 12 pessoas em Paris, capital da França, com destaque para o ataque e massacre na redação do jornal Charlie Hebdo, o Café ressalta que, em hipótese alguma, não há qualquer justificativa para tamanha barbárie e se solidariza com as famílias enlutadas.



 Ø  Da liberdade (de expressão) e a elasticidade de seu conceito

“Liberté, égalité, fraternité” (Liberdade, igualdade, fraternidade), assim podemos resumir os ideais da Revolução Francesa (1978-1799). O lema, além de fortemente utilizado para resumir tais ideais, foi institucionalizado e tornou-se símbolo de estado.

Intimamente ligada à Revolução Francesa, A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, anunciada ao público em 26 de agosto de 1789, na França, com o país ainda a ferro e a fogo após a tomada da Bastilha em 14 de julho do mesmo ano, estabelece o seguinte em seu arts. 4º e 10º:

“Art. 4º - A liberdade consiste em poder fazer tudo que não prejudique o próximo. Assim, o exercício dos direitos naturais de cada homem não tem por limites senão aqueles que asseguram aos outros membros da sociedade o gozo dos mesmos direitos. Estes limites apenas podem ser determinados pela lei.”
(...)
Art. 10º. Ninguém pode ser molestado por suas opiniões, incluindo opiniões religiosas, desde que sua manifestação não perturbe a ordem pública estabelecida pela lei.”

Composta por 17 artigos, a Declaração fazia-se necessária e urgente para legitimar o governo que se iniciava após o afastamento do rei Luis XVI, o qual seria decapitado quatro anos mais tarde.

Pois bem, pessoas esclarecidas que eram os jornalistas/cartunistas, estes deveriam conhecer não apenas os artigos da Declaração acima, como também a regra básica que é largamente aceita na maior parte do planeta, qual seja: que os direitos de “ambos” coexistam, sem que haja anulação de um pelo outro.

O direito à liberdade sem medida que os telejornais tentam vender diariamente, confessa o Café, não soa com tanta facilidade. Destacando, mais um vez, que não se está falando aqui em alimentar qualquer tipo de defesa em prol da censura, não mesmo. A ideia é outra, bem diferente.

O que o Café pretende enfatizar é justamente a responsabilidade que cada um que exercita um direito tem ao fazê-lo. Em outras palavras, num mundo globalizado, conectado e socialmente problemático que vivemos, todos temos que ter a consciência e a responsabilidade de distinguir o exercício do direito do abuso do direito.

Sendo o abuso do direito o excesso do exercício do direito, o mesmo extrapola os limites da razoabilidade da sua defesa, o que, como no caso em destaque, pode colocar em risco o direito de terceiros, como o direito à vida, quando da morte de pessoas que nada tinham com as publicações contestadas pelos terroristas.

Assim como os chargistas mortos possuíam direito à liberdade para “expressar” suas “ideias”, “pensamentos” ou “opiniões” sobre o que bem entendessem, todas as pessoas que não trabalhavam na redação do jornal Charlie Hebdo e não faziam parte do ciclo de amizade do que ali labutavam também tinham direito a direitos, dentre eles o de possuir uma religião.

E, convenhamos, a fé religiosa de um povo deve ser, na opinião do Café, tratada de forma sempre respeitosa e possui, sim, uma diferença gritante quando comparada com qualquer outro tema que envolva a sociedade moderna como, por exemplo, as críticas àqueles que administram a coisa pública de forma inadequada.

Assim, bem diferente da liberdade de tecer críticas, as mais pesadas que sejam, sobre os mais variados temas, tais como: política, economia, futebol, cinema etc, etc, etc, é a publicidade de imagens extremamente pesadas sobre qualquer religião.

A sociedade jamais poderá permitir que radicalistas armados possam ditar as regras do que pode ou não ser publicado, pois, caso contrário, estará ferido de morte o mencionado direito à liberdade de expressão, princípio esse (re)conquistado com luta e sangue por muitos brasileiros durante o período do regime militar no Brasil.

Contudo, importante lembrar que toda moeda possui dois lados e se, de um lado, os extremistas não tinham o direito de retirar a vida dos jornalistas/chargistas, de outro lado, estes possuíam o direito de achincalhar, zombar, ridicularizar com a fé alheia??? O Café acredita que não!

Será mesmo que em nome de uma falsa liberdade de expressão “exercida” por meia dúzia de pessoas, que podem estar apenas querendo chamar atenção para vender alguns exemplares extras de seus respectivos jornais, o mundo inteiro estará disposto a participar de mais uma guerra mundial em nome dessa tal “liberdade”, ou mesmo para garantir o lucro financeiro dessa meia dúzia de jornalistas “extravagantes”???

Não é de hoje que charges de Maomé, profeta maior da religião muçulmana, com conotações pornográficas em edições do jornal Charlie Hebdo são duramente criticadas por diferentes líderes religiosos. A própria sede do jornal já fora alvo de atentados no passado. Mas nada disso foi suficiente para, pelo menos, amenizar na tinta e na “criatividade às avessas” nas confecções das charges.

Importante destacar que o jornal Charlie Hebdo não mira suas pesadas e nada bem humoradas charges “somente” contra os muçulmanos, outras religiões também são alvos dos cartunistas.

Outro ponto relevante a se destacar é que na religião muçulmana há um princípio básico de que o profeta Maomé não pode ser retratado em hipótese alguma. Desrespeitar esse preceito é desrespeitar a todos os muçulmanos.

Sinceramente, o Café não consegue encontrar uma justificativa, mínima que seja, para dar elasticidade ao conceito de liberdade de expressão para imprimir às charges abaixo um tom de, pelo menos, crítica. Ou seja, na opinião do Café, as charges abaixo tratam única e exclusivamente de um desrespeito e intolerância para com a fé alheia, o que, de forma alguma, também não justifica a reação dos extremistas/terroristas.

Para que cada amigo cafeinado possa melhor entender o que se está falando aqui e tire sua própria conclusão, colacionamos abaixo algumas das charges mais comentadas publicadas pelo jornal Charlie Hebdo que, sinceramente, não nos representa. Por isso mesmo, não, o Café não é Charlie, Je ne suis pas Charlie.








É bem verdade que a imagem é uma linguagem universal, muitas vezes não carecendo de legenda. Contudo, o Café entende ser importante explicar a charge acima para não restar dúvida ao amigo cafeinado quanto ao tipo de liberdade de expressão do jornal Charlie Hebdo.

A charge em referência foi capa de novembro de 2012 e ironizava a Santíssima Trindade, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e trazia o tema do casamento gay. Na charge, Deus (Le Pe’re) está sendo penetrado por Jesus (Le Fils) e este pelo Espírito Santo (Le Sant Esprit).




Uma das capas de dezembro de 2014 mostra uma ilustração de Virgem Maria dando à luz, acompanhada da frase: ‘a verdadeira história do menino Jesus’


Por fim, provando da própria, digamos, criatividade, um dos cartunistas, brutal e injustificadamente, assassinados é estuprado pelo diabo ao chegar no inferno. Repare no detalhe dos buracos na cabeça, fazendo alusão aos tiros mortais recebidos dos radicalistas/terroristas.

E você, qual sua opinião sobre o assunto?

Um comentário:

Carolina disse...

Faço das suas palavras as minhas! #JenesuispasCharlie