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Pará/Brasil

quinta-feira, 31 de março de 2016

Lula, PT, Sonhos e Decepções (parte I)


Lula fala aos metalúrgicos em 1979

Lula está em evidência no cenário político nacional há décadas. Ao longo dos anos, conseguiu ser uma metamorfose ambulante somente para inglês ver. Mas conseguiu, paulatinamente, aumentar seu eleitorado e retirar aos poucos aquela velha má fama de radical que mudaria a cor da bandeira nacional para vermelha.

Lula nos braços dos metalúrgicos
Os governos que sucederam o regime militar nunca conseguiram ter um canal de diálogo diretamente com o povo, especialmente o povão, pois eram todos almofadinhas, engravatados requintados. Em contrapartida, Lula, que veio do movimento popular e sabia, e ainda sabe, muito bem falar a língua do povão, começava a aumentar sua base política pelo Brasil inteiro, inclusive, o blogueiro que vos escreve era mais um desses militantes.

Após cada derrotas de Lula para a presidência da República, de um total de três, tinha-se a certeza que a vitória estava muito próxima, era apenas uma questão de tempo. Era preciso continuar com a esperança e tentar ganhar mais alguns simpatizantes para, na próxima eleição, enfim, alcançar a maioria.

Mas o dia da vitória chegou. Lula, PT e o povão estavam (estávamos) no poder. Agora, a esperança por um Brasil mais justo, socialmente falando, era mais palpável. Lula, inteligente que é, manteve a base principal da política econômica do governo de Fernando Henrique Cardoso, mandando um consistente recado ao mercado e organismos internacionais que não estava assumindo o poder para anarquizar o país.


   
Lula Presidente
O governo iniciou e a publicidade das políticas sociais passou a ter uma turbinada especial que, com um garoto-propaganda como Lula, se transformava numa arma política perfeita.

Lula saiu-se muito bem no início do governo e conseguiu aumentar as bases políticas pelo país potencializando o PT em todo Brasil. Agora, o partido estava ramificado nos municípios com a máquina federal patrocinando a expansão.

A lua de mel entre Lula e o povo foi duradoura. Saiu de seu segundo mandato com uma aprovação recorde e, de quebra, conseguiu eleger Dilma, sua criatura.

sábado, 26 de março de 2016

A delação da Odebrecht: quem sobrará para contar a história? (parte II)

Marcelo Bahia Odebrecht


Em meio às delações premiadas que atormentam Lula, Dilma, petistas em geral, o governo como um todo e também a oposição, essa semana foi divulgada a delação de Marcelo Odebrecht, o herdeiro da maior empreiteira da América Latina.

É bem verdade que não dá para saber qual das delações em curso é a mais bombástica, a mais destruidora, pois todos os envolvidos são influentes e de informações privilegiadas, como o senador Delcídio do Amaral, por exemplo.


Mas a delação da Odebrecht, sem dúvida, para conseguir o carimbo de “premiada” terá que informar, e provar, coisas muito interessantes que os investigadores ainda não sabem e que não foram contadas e provadas por outros delatores. A Odebrecht terá que abrir o coração sem medo de ser feliz, e isso significa que não somente o governo corre o sério risco de se transformar em pó, mas a oposição, ou parte significativa dela, também.


A Odebrecht financiava gregos e troianos sem distinção, e não fazia isso por acreditar na ideologia de cada partido político ou mandatário, mas por interesses econômicos. E é exatamente o raio-x dessa relação doação/benefício que os investigadores pretendem se debruçar, identificando cada operação ilícita narrada por Marcelo Odebrecht.

Levando em consideração a lista de nomes, partidos e valores encontrada recentemente no “departamento de propinas” da Odebrecht, uma pergunta ficou no ar: após a delação de Marcelo Bahia, quem sobrará para contar a história?

A delação da Odebrecht: quem sobrará para contar a história? (parte I)



Lula e o PT, para alcançar o poder em 2002, precisaram mudar o velho discurso radical e mostrar aos possíveis aliados que sabiam sim “jogar o jogo” e as experiências em algumas prefeituras (ex: Santo André) lhe habilitavam para sentar-se à mesa.

Após a vitória, os acordos foram devidamente “honrados” e iniciou naquele momento um fenômeno, nunca antes visto na história deste país, um modelo sistêmico de corrupção tão bem orquestrado e tão ramificado que, pelo que se vê nas divulgações das investigações, o ilícito virou prática comum e o lícito virou exceção, ou seja, em último caso, se tudo der errado, faz-se o correto, nos termos da lei.




  

Lula montou o sistema e repassou à Dilma, mas o vampirismo petista não teria como perdurar por tanto tempo sem quebrar o país, o sistema era (e ainda é) extremamente maléfico, irracional e desumano.

Definitivamente, não há mal que dure para sempre. O projeto de poder de Lula e do PT foi construído sobre areia movediça e está desmoronando a cada dia, delação após delação. As provas são cada vez mais contundentes. A estratégia do “eu não sabia” não cabe mais e ninguém tem mais interesse em fazer de conta que acredita nessa historinha pra boi dormir.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Operação Lava Jato: um divisor de águas na política brasileira




A história da humanidade tem alguns acontecimentos marcantes que os historiadores costumam chamá-los de divisor de águas.

Sem dúvida, o divisor de águas mais marcante da história foi o nascimento de Jesus Cristo, que fez a história ser contada em antes de Cristo (A.C) e depois de Cristo (D.C).

Pois bem, voltando aos dias atuais e voltando a falar em operação Lava Jato, tem-se a nítida impressão que a história política brasileira terá como divisor de águas a referida operação. Sendo o “mensalão” uma espécie de introdução.

A história da política brasileira será contada nos livros de história do Brasil com os seguintes termos “A. L. J” (Antes da Lava Jato) e “D. L. J” (Depois da Lava Jato).

É surpreendente ver diariamente a evolução dos acontecimentos, as revelações, as atuações cínicas dos atores governistas e oposicionistas. Aquele que ontem apontava o dedo, hoje é acusado de algo pior do que aquele que o mesmo acusava.

As táticas mais sofisticadas para drenar grandes volumes de recursos públicos para o submundo da política estão sendo desvendadas pela força-tarefa da Lava Jato, inclusive com a descoberta recente de um departamento exclusivo para tratar sobre propina na maior empreiteira da América Latina, a Odebrecht.

Assim sendo, aqueles que pretendem continuar nessa prática criminosa ou mudam de táticas, sofisticando-as, ou serão facilmente pegos pelos investigadores que, a partir da Lava Jato, adquiriram larga experiência no combate à corrupção.