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Pará/Brasil

domingo, 3 de setembro de 2017

A Justiça criminal vai ao cinema vangloriar-se dos seus feitos e comemorar a desgraça alheia

Juizes Sergio Moro e Marcelo Bretas, com suas respectivas esposas

É com imenso pesar que o blog lê as matérias sobre a pré-estreia do filme que trata dos bastidores da famosa “Operação Lava Jato”, denominado de “Polícia Federal: a Lei é para Todos”.

A angústia do blog se dá por vários motivos, especialmente por saber que estamos vivendo momentos difíceis e preocupantes no Brasil, onde a Justiça criminal do país condena pessoas e depois vai ao cinema comer pipoca e sorrir da desgraça alheia.

Mais ainda, os juízes pop estar, lançados a heróis nacionais por estarem fazendo nada mais do que suas obrigações enquanto servidores públicos do Poder Judiciário, envaidecidos pela popularidade junto a sociedade, não apenas fazem questão de ir ao cinema comer pipoca e ver os personagens lhe rendendo homenagens, como também não dispensam o tapete vermelho, símbolo dos astros hollywoodianos.


 
 
A vaidade do juiz Sérgio Moro, e também do seu colega Marcelo Bretas, este responsável pela Lava Jato no Rio de Janeiro, expõe desnecessariamente o judiciário. Aliás, não é de hoje que membros do Poder Judiciário fundamentam suas decisões já na expectativa de vê-las transformadas em manchete de jornal.

Essa cobiça por holofotes, por membros do Judiciário, é de extrema preocupação para a sociedade, pois aquele que julga alguém já pensando em virar personagem de filme fatalmente não terá a isenção necessária para cumprir seu papel institucional.

O juiz Luís Carlos Valois, da Vara de Execuções Penais do Amazonas, em seu perfil no Facebook, declarou que se o filme fosse sobre algum processo que atuou, ninguém iria sorrir, nem ele, nem ninguém. O filme, inclusive, poderia ser de terror. O filme poderia fazer chorar, fazer virar a cara, dar nojo, mas nunca sorrir. 

O nobre magistrado crava que a justiça penal verdadeira não deveria ser motivo de alegria mas de tristeza sempre, porque, quando age, age demonstrando o quanto falhamos como sociedade e termina afirmando o seguinte sobre o filme do Moro: “Eu não vi esse filme, mas se ele é sobre justiça penal, polícia e prisão, e causa essa alegria toda, eu não vou ver...”